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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Taoísmo

Texto extraído do livro:

O LIVRO DAS RELIGIÕES


O taoísmo se baseia num livro chamado Tao Te Ching, "O livro do Tao e do Te". Tao (ordem do mundo) e te (força vital) são antigos conceitos chineses aos quais Confúcio deu uma interpretação um pouco diferente.
O Tao Te Ching é um livrinho de apenas vinte ou 25 páginas, dividido em 81 capítulos. Ninguém sabe ao certo quem o escreveu, mas diz a lenda que foi o filósofo Lao-Tse, que viveu no século VI a. C, tendo sido mais ou menos contemporâneo de Confúcio. As histórias sobre a vida de Lao-Tse são muitas e variadas, e os historiadores não têm certeza sequer se ele de fato existiu. Feita essa advertência, abaixo vamos nos referir a Lao-Tse como autor do Tao Te Ching.

TAO — O GRANDE PRINCÍPIO

Para Confúcio, o tao era a suprema ordem do universo, que o homem tinha de seguir. Lao-Tse também concebia o tao como a harmonia do mundo, especialmente do mundo natural. Só que ele foi mais além: o tao é a verdadeira base da qual todas as coisas são criadas, ou da qual elas jorram. Várias vezes o tao é descrito como o "Céu", isto é, como algo divino, embora não seja um deus pessoal.

A diferença mais importante entre a concepção de Lao-Tse sobre o tao e as outras é que Lao-Tse acreditava ser impossível descrever o tao de maneira direta e racional. "O tao que pode ser descrito não é o tao real", disse ele. Isso significa que o homem não pode investigar ou estudar a verdadeira natureza do tao, não pode usar o intelecto para compreendê-lo. Ele deve meditar, imerso numa tranqüilidade sem nexos e esquecer todos os seus pensamentos a respeito de coisas externas, como o lucro e o progresso na vida. Só então irá alcançar a união com o tao e será preenchido pelo te, a força vital.

VIDA SOCIAL

O taoísmo implica passividade e não atividade. Para um sábio taoísta, a ação mais importante é a "não-ação". Isso obviamente tem uma grande influência em sua visão da vida comunitária. Enquanto Confúcio desejava educar o homem por meio do conhecimento, LaoTse preferia que as pessoas permanecessem ingênuas e simples, como crianças. Enquanto Confúcio ansiava por regras e sistemas fixos na política, Lao-Tse acreditava que o homem deveria interferir o mínimo possível no desdobramento natural dos fatos. Confúcio queria uma administração bem-ordenada, mas Lao-Tse acreditava que qualquer administração é má. "Quanto mais leis e mandamentos existirem, mais bandidos e ladrões haverá", diz o Tao Te Ching.

O Estado ideal de Lao-Tse era a pequena comunidade (a aldeia ou a cidade pequena) que, segundo ele, existia já nos tempos antigos.

Ali as pessoas tinham vivido em paz e contentamento, sem interesse em guerrear contra seus vizinhos, como fizeram mais tarde as províncias chinesas. O líder devia ser um filósofo, e sua única tarefa era que sua passividade e seu distanciamento servissem de exemplo para os outros.

A caridade ativa não faz sentido para um taoísta. Mas ele tem uma boa vontade sem limites para com todos os outros, sejam eles bons ou maus.

O TAOÍSMO COMO UMA RELIGIÃO POPULAR

Alguns discípulos de Lao-Tse direcionaram o misticismo natural para aspectos mais mágicos. Foram esses elementos de magia que encontraram maior ressonância entre as massas, ao se incorporarem às crendices e feitiçarias de tempos mais antigos. Por exemplo, Lao-Tse acreditava que quando um indivíduo permanece passivo, preserva sua força vital por longo tempo, mantendo-a saudável e pura. Mais tarde, algumas pessoas começaram a interpretar essa idéia como a possibilidade de alcançar uma longevidade cada vez maior, e passaram a se interessar em se tornar imortais. Filósofos taoístas, além de meditar, exercitavam práticas mágicas e tentavam descobrir o elixir da vida eterna. Lado a lado com o taoísmo filosófico, foi se desenvolvendo uma religião popular baseada em Lao-Tse, mas que também tinha seus próprios deuses, templos, sacerdotes e monges. Havia rituais complexos, em parte inspirados pela prática budista, com procissões, oferendas de alimentos aos deuses e cerimônias em honra dos vivos e dos mortos. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Taoísmo: o caminho para o Tao

Introdução ao Taoísmo
Parte I

A origem da religião chinesa conhecida como Taoísmo parte da concepção do termo TAO. O termo chinês Tao significa caminho. A concepção do TAO se relaciona a ideia de Absoluto. Em outras palavras, o TAO é a origem, o princípio e a essência de todas as coisas.  Por isso, está fora do tempo e do espaço.

Ele não pode ser definido pela linguagem humana por estar fora do tempo e do espaço. Estar fora do tempo e do espaço significa que nenhuma palavra pode delimitá-lo, pois o TAO não tem início e nem fim. Ele simplesmente é.

Lao Zi em sua obra O Tratado da transparência e quietude permanente afirmou: “O grande Caminho não tem nome, não tem emoção, não tem forma. Eu não sei seu nome, mas me esforçando, atribuo a ele um nome, chamando-o de Caminho”.

Apenas caminhando é possível conhecer o Caminho. Os taoistas acreditam que chegar a conhecer o Caminho plenamente não é possível. Contudo, é possível experimentá-lo de forma constante e progressiva.

O Caminho é o Absoluto. Quietude e silêncio são símbolos que ajudam a compreendê-lo. Esta quietude não significa ausência de todas as coisas, mas um estado anterior à manifestação de qualquer coisa de forma natural e espontânea. Encontrar-se com o TAO é viver em harmonia consigo, com os outros e com a natureza.

Dois passos são fundamentais para caminhar em direção ao TAO:

1º Passo: Encontrar o silêncio e a quietude interior mesmo em momentos de agitação, barulho e confusão.  A paz interior não está em um coração inquieto.
2º Passo: Buscar realizar o melhor para si e para as outras pessoas. Alcançar a paz interior é alcançar um estado chamado pelo taoismo de “ausência de remorso”.

Portanto, segundo o Taoísmo, uma pessoa vai se unindo ao Tao na medida em que busca a paz interior e na medida em que busca romper com o egoísmo.

Prof. Leandro César