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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Confucionismo

Texto extraído do livro:

O LIVRO DAS RELIGIÕES

DADOS HISTÓRICOS

Até 1911 a China foi uma potência imperial, onde o imperador reinava acima de tudo. O imperador era considerado o representante do país diante do supremo deus Céu. Ao mesmo tempo, era também o filho do Céu na Terra. O próprio imperador realizava o sacrifício ao Céu no Templo do Céu, situado na capital, Pequim. Fazia ainda sacrifícios às montanhas e aos rios sagrados da China.

O Império chinês era uma sociedade hierárquica, com líderes permanentes. A frente da administração havia uma elite de funcionários altamente letrados, os mandarins. Sua ideologia era o confucionismo, um conjunto de pensamentos, regras e rituais sociais desenvolvidos pelo filósofo K'ung-Fu-Tzu (ou, na forma latina, Confucius) cujas doutrinas prevaleceram na China até a queda do imperador. Confúcio também formulou normas para a vida religiosa, para os sacrifícios e os rituais. O confucionismo era, na verdade, uma religião estatal praticada pela elite e pelas classes dominantes, a qual, no entanto, nunca se disseminou muito entre as massas, as camadas mais amplas da população. Da mesma forma que o imperador, em seu palácio em Pequim, ficava remotamente afastado das pessoas comuns, o Céu era remoto e impessoal para a grande massa dos chineses pobres, trabalhadores e camponeses. A religião dos pobres era a adoração dos espíritos, particularmente dos antepassados, religiosidade carregada de magia e traços de outras religiões. As grandes potências da Europa constituíam uma ameaça para a independência econômica e política do país. Isso explica, em parte, a tendência isolacionista e o ceticismo em face dos impulsos vindos do exterior. Os intelectuais atacavam a religião popular, acreditando que esta era um obstáculo para a ciência moderna e o moderno pensamento político. Isso levou alguns a tentarem um reavivamento e uma modernização das antigas religiões, ao passo que outros desenvolveram um interesse maior por idéias não religiosas vindas do Ocidente.

Em 1911 os incompetentes governantes imperiais foram derrubados e a China se tornou uma república. Porém, as condições políticas se mantiveram instáveis por causa de uma guerra civil e da guerra contra o Japão. Em 1949 os comunistas tomaram o poder.

CONFÚCIO (551-479 A.C.)

Há alguma incerteza quanto às origens de Confúcio, mas é provável que ele tenha nascido numa família aristocrática empobrecida. Recebeu uma boa educação e se tornou um sábio, atraindo muitos discípulos. Algumas de suas interpretações da filosofia antiga e das tradições, em especial quando ele tocava em assuntos relacionados a ética e filosofia social, foram inovadoras.

Confúcio acreditava que o Céu o escolhera para revitalizar a cultura e a moralidade estabelecidas pelos sagrados imperadores em tempos antigos. Só que ele não organizou suas idéias em nenhum sistema simples, nem as registrou ele mesmo, motivo por que elas chegaram até nós apenas por meio dos escritos de seus discípulos.

A TRADIÇÃO CONFUCIANA

Confúcio teve um efeito decisivo no desenvolvimento da China. Após sua morte, os discípulos começaram a difundir e ampliar suas idéias. O confucionismo acabou se tornando uma espécie de religião estatal da China, chegando muitas vezes a atacar outras religiões, como o budismo e o taoísmo. Foram construídos templos em honra a Confúcio e se ofereciam sacrifícios a ele na primavera e no outono, assim como se ofereciam sacrifícios ao Céu.

Apesar disso, deve-se enfatizar que o confucionismo nunca havia sido uma religião independente. Falando-se mais precisamente: o termo abrange uma série de idéias filosóficas e políticas que formavam os pilares do governo e da burocracia da China imperial, muito embora a ética do confucionismo também permeasse amplas camadas da população chinesa. É típica dessa tradição sua visão política pragmática e seu interesse pelas questões sociológicas reais, como a educação dos filhos, o papel do indivíduo na sociedade, as regras corretas de conduta etc. Seu interesse pelas questões religiosas e metafísicas é muito menor.

ATITUDE SOCIAL E HUMANA

Uma das idéias fundamentais deConfúcio era que a natureza e o universo estão em harmonia, e que isso deve se aplicar também ao homem. Para esse fim, Confúcio adotou alguns antigos conceitos chineses e os moldou a seus próprios objetivos. O tao é a harmonia predominante no universo; em outras palavras, o relacionamento bom e equilibrado entre todas as coisas. Essa harmonia é um modelo para a sociedade, na qual, da mesma forma, o indivíduo deve tentar viver em compreensão e harmonia. Isso pode ser atingido se seu ser interior estiver em consonância com o tao, pois então ele encontrará o incentivo necessário, o te, ou o caminho certo para a ação.

A fim de alcançar a harmonia com o tao, o homem precisa de conhecimento e compreensão, o que ele pode obter estudando o passado, a  tradição.  Esta ensina ao indivíduo as regras de comportamento correto, a celebração fiel dos rituais e das cerimônias religiosas, e qual é seu devido lugar na sociedade.

Confúcio via o homem como naturalmente bom e pensava que todo mal brota da falta de conhecimento. A educação, portanto, implica transmitir os conhecimentos corretos.
O lugar do indivíduo na sociedade é regulado por cinco relações: entre senhor e servo, entre pai e filho, entre mais velho e mais jovem, entre homem e mulher, e entre amigo e amigo. Isso significa que o soberano deve ser bom e o servo deve ser leal, uma relação que tornou o confucionismo politicamente conservador e dificultou os desafios à autoridade. Isso significa também que o pai deve ser amoroso e o filho respeitador, uma idéia ligada ao culto dos antepassados. E significa que o homem deve ser justo e a mulher obediente, o que diz bastante sobre o papel da mulher nesse sistema.

O ideal para todos os homens e os conceitos mais importantes para Confúcio são: piedade filial, respeito e reverência.

Confúcio e as coisas religiosas

Confúcio não se opunha, de modo nenhum, à religião popular, e não duvidava que os deuses e os espíritos existissem.

Acreditava que um ser sobrenatural o inspirava: "O Céu deu à luz a virtude dentro de mim". Só que o Céu para ele não era um Deus pessoal. Ainda que este lhe desse inspiração e direção, Confúcio não fundamentou sua ética em mandamentos morais transmitidos por Deus.

O mais importante para Confúcio era que os deuses deviam ser cultuados adequadamente, que os rituais, os sacrifícios e as cerimônias deviam ser realizados corretamente, pois isso demonstrava a piedade filial da pessoa. Mas ele não estava interessado em assuntos religiosos ou metafísicos. Consta que ele disse: "Mostre respeito pelos deuses, mas mantenha-os à distância". E quando lhe perguntaram sobre a vida após a morte, respondeu:


"Quando não se compreende nem sequer a vida, como se pode compreender a morte?". 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Anacletos de Confúcio - libro 1

O Confucionismo foi fundado por um sábio chinês chamado Confúcio (551-479 a.C). O fundador não quis fundar uma religião e sim, instrui na justiça o povo de sua época. A China de seu tempo foi marcada por muitas guerras. Milhares de pessoas morreram neste período. Confúcio aos 51 anos entrou na vida pública e chegou a exercer autos cargos políticos. Acreditava que pela educação na justiça era possível estabelecer a paz. Por isso, dedicou-se a formação de discípulos. 

Os ensinamentos de Confúcio influenciaram todas as camadas sociais chinesas. 

O confucionismo era, na verdade, uma religião estatal praticada pela elite e pelas classes dominantes, a qual, no entanto, nunca se disseminou muito entre as massas, as camadas mais amplas da população. Da mesma forma que o imperador, em seu palácio em Pequim, ficava remotamente afastado das pessoas comuns, o Céu era remoto e impessoal para a grande massa dos chineses pobres, trabalhadores e camponeses. A religião dos pobres era a adoração dos espíritos, particularmente dos antepassados, religiosidade carregada de magia e traços de outras religiões” (GAARDER J., HELLERN V., O livro das Religiões).


A filosofia de Confúcio foi escrita por seus discípulos. A obra recebeu o nome de "Diálogos de Confúcio" ou "Anacletos de Confúcio", a qual foi dividida em vinte partes ou vinte livros.

LIVRO 1

1.1 O mestre disse: estudar e praticar em devido tempo o que se tem estudado, isto não é um prazer? Quando amigos chegam de lugares distantes, isto não é uma alegria? Permanecer na doçura quando seus talentos não são reconhecidos não é isto um junzi?

1.2 O mestre You disse: É raro encontrar uma pessoa que é filial a seus pais e respeitoso com os mais velhos e que gosta de se opor à sua decisão superior. E nunca houve um que não gosta de se opor a governante e que levantou uma rebelião.

O junzi funciona na raiz - uma vez que a raiz é plantada, o dao nasce. Piedade Filial e respeito pelos mais velhos não são estes as raízes de ren?

1.3 O mestre disse: Aqueles de palavras astutas e expressão insinuante raramente são ren.

1.4 O mestre Zeng disse: Cada dia eu me examino em três pontos, em relação aos outros, eu fui leal? Em companhia de amigos, eu fui confiável? Eu pratiquei o que foi passado para mim?

1.5 O mestre disse: para guiar um grande estado o suficiente para possuir mil carros de guerra é preciso estar atento aos afazeres e ser confiável; controlar os gastos e tratar as pessoas como seres valiosos; empregar as pessoas de acordo com a época adequada.

1.6 O mestre disse: um jovem deve ser filial dentro de sua casa e respeitoso com os mais velhos fora dela, deve ser cuidadoso e confiável, cuidar das pessoas em geral, e deve se unir àqueles que são ren. Se ele tem energia de sobra, ele pode estudar os refinamentos da cultura (wen).

1.7 Zixia disse: se uma pessoa trata as pessoas dignas como digno e assim altera sua expressão, exerce todo o seu esforço ao servir seus pais, esgota-se ao servir seu senhor, e é digno de confiança em manter sua palavra quando na companhia de amigos, embora outros possam dizer que ele é ainda não aprendi, eu iria chamá-lo aprendido.

1.8 O mestre disse: se um junzi não é uma pessoa séria ele não prestará reverência. Se você estudar você não será rude. Ter lealdade e confiabilidade como o pivô e não tenha amigos que não gostam disso em você. Se você errar, não tenha medo de se corrigir.

1.9 Mestre Zeng disse: Dedique um cuidado especial no fim da vida e tenha respeito para com os mortos; desta forma, a virtude das pessoas retornará a plenitude.

1.10 Ziqin perguntou a Zigong: "Quando o nosso Mestre viaja para um estado, ele aprende sempre os assuntos de seu governo. Ele  procura as informações ou são as pessoas que lhe dão por vontade própria?"

Zingong disse: "Nosso Mestre obtém as informações por ser amigável, simples, reverente, recatado e modesto. A forma como nosso Mestre procura as coisas é diferente da forma como os outros fazem!

1.11 O mestre disse: Quando o pai está vivo, observa  a intenção do filho. Quando o pai morre, observa a conduta do filho. Aquele que não altera o dao  de seu falecido pai por três anos, pode ser chamado de filial.

1.12 Mestre You disse:

Na prática da li, a harmonia é a chave. No Dao dos reis de antigamente, essa era a beleza.
Em todos os casos, grandes e pequenos, siga isto. Existe um respeito que não se deve ter. Agir em harmonia, simplesmente porque a pessoa entende o que é harmonioso, mas não para regular a conduta de acordo com Li, de fato, não se pode agir dessa maneira.

1.13  Mestre You disse: A confiança está perto da justiça, suas palavras são testadas pela verdade. A reverência está perto do li. Ela mantém a vergonha e a desgraça à distância. Aquele que segue estas instruções e não se afasta do caminho de seu pai, este sim, pode ser reverenciado.

1.14 O mestre disse:  Um junzi não está preocupado se a comida enche seu estômago, ele não procura conforto em sua residência.
Se alguém é capaz de ter conduta e ser cautelosa no discurso, fique perto daqueles que guardam o dão e corrigem a si mesmos, agindo assim pode dizer que ama apreender.

1.15 Zigong disse: "Seja pobre mas nunca um adulador; seja rico, mas nunca arrogante - o que você diria sobre isso?
O mestre disse: "Isso é bom, mas não tão bom como: Seja pobre, mas alegre, seja  rico e ame o  li".
Zigong disse: "Nos Poetas foi dito: “Como foi cortado, assim foi esculpido, como foi esculpido, assim foipolido. O que você quer dizer com isso? "
O mestre disse:. "Ah, sim! Finalmente eu posso falar sobre a poesia com ele. Eu disse a ele o que veio antes e ele entendeu o que vem depois”'.

1.16 O mestre disse: Não se preocupe que ninguém pode reconhecer seus méritos. Seja preocupado com o que você pode não reconheça os outros.

Tradução da obra: Analects of Confucius. Disponível in: http://www.indiana.edu/~p374/Analects_of_Confucius_(Eno-2012).pdf

Até a próxima,

Prof. Leandro César