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terça-feira, 12 de julho de 2016

Questões de Vestibular - Renascimento e Humanismo


1) (UFSC - Adaptada) Sobre o Renascimento cultural europeu, é CORRETO afirmar:
I - O homem passou a se dedicar mais a Deus do que a si próprio.
II - A classe burguesa desenvolveu a capacidade de competição aumentando a concorrência.
III - A resignação permaneceu como herança da mentalidade cristã medieval
IV - Os humanistas foram grandes admiradores da cultura greco-romana.
V - A visão racionalista do mundo foi substituída pela fé.




Estão corretas:

a) I e II;
b) II e III;
c) III e IV
d) II e IV
e) IV e V




2) Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S) nas suas referências ao Renascimento:
I - O significado do termo Renascimento está associado à idéia de um novo nascimento da cultura européia, nas suas variadas manifestações, especialmente nas artes.


II - Os pensadores renascentistas limitaram-se a imitar os modelos das civilizações grega e romana.
III - Entre os renascentistas mais conhecidos nas artes plásticas destacaram-se Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci e Rafael.
IV - Entre os escritos renascentistas destacaram-se O Elogio da Loucura (Erasmo de Rotterdam), O Príncipe (Nicolau Maquiavel) e A Utopia (Thomas Morus).
V - Fenômeno marcante da cultura renascentista foi seu caráter universalista. O deísmo, porém, foi um dos ideais almejados, pois dava acesso à sabedoria e à santidade.
VI - O renascimento religioso, identificado na Europa por vários historiadores, foi associado à Reforma Protestante e à Contra-Reforma Católica.


a) I, II e III;
b) II, III e IV;
c) I, III e IV;
d) III, IV e V;
e) IV, V e VI




3) (CESGRANRIO) O Humanismo renascentista assinala, no plano das transformações intelectuais, o início dos chamados “Tempos Modernos”, podendo ser identificado por uma das seguintes proposições:



a) o Humanismo foi a doutrina filosófica de Renascimento e a imitação da Antigüidade greco-romana foi a sua característica marcante;
b) o Humanismo, ao valorizar acima de tudo a tradição clássica greco-romana, constituiu um movimento contrário ao Renascimento;
c) o Humanismo não teve características próprias, não foi um movimento autônomo, pois, desde o início, esteve integrado ao Renascimento;
d) a valorização do homem moderno e a recusa em reconhecer todo e qualquer valor à Antigüidade Clássica era a principal tônica do humanismo;
e) o Humanismo buscava recuperar a tradição clássica, os valores gregos e romanos, reinterpretando-os à luz das novas preocupações culturais.




4) (PUC-UFF) Tendo em vista as relações existentes entre o Humanismo e o Renascimento, poder-se-ia afirmar que:
a) O Humanismo constituiu um movimento filosófico contrário ao Renascimento
b) o Humanismo foi o movimento que antecedeu ao Renascimento, sendo totalmente absorvido por este último;
c) o Humanismo e o Renascimento são movimentos contemporâneos, embora totalmente distintos e sem muitas relações entre si;
d) o Humanismo foi a visão do mundo que permitiu à herança greco-romana adquirir uma importância renovada no âmbito do movimento renascentista;
e) o Humanismo foi a filosofia do Renascimento, imprimindo-lhe o caráter de imitação da Antigüidade greco-romana.




5) (U. Santa Ursula-RJ) O Renascimento é considerado por muitos historiadores como um marco na revolução intelectual do Ocidente. Ocorreu primeiro na Itália e pode ser caracterizado por modificações nas artes em geral e em alguns conceitos anteriormente aceitos como imutáveis. Assinale o mais correto:
a) O humanismo, o heliocentrismo e o uso da fé como base para todo e qualquer pensamento ou criação artística.
b) As idéias de Santo Tomás de Aquino, a estética e os conceitos medievais.
c) O rompimento com a cultura e estética medievais, a valorização da cultura grecoromana, o racionalismo e o mecenato.
d) A resistência da burguesia aos novos valores.
e) O teocentrismo, a aceitação dos dogmas da Igreja, o anti-naturalismo.

6) (Unifor-CE)
“No quadro de Leonardo da Vinci, Gioconda, surpreendemos o equilíbrio e a perfeição. Michelangelo domina a pedra, com a mesma loucura com que os descobridores esculpem sobre a cultura pré-colombiana suas Igrejas, seus palácios, suas cidades, seus filhos... Descobrir a América, subjugar culturas estabelecidas em continentes desconhecidos, provar que a Terra é redonda e montar uma economia centralizada na Europa são gestos humanistas, gestos do descobridor de um homem renascentista.”



(THEODORO, Janice. Descobrimentos e Renascimento.
In: Repensando a História. São Paulo: Contexto, 1991 p. 26 e 64)


Pode-se afirmar que o momento histórico, referido no texto, entre outros fatos importantes, é caracterizado
I. pela Reforma Protestante, dividindo a cristandade ocidental (em católicos e protestantes).
II. por um espírito crítico e uma acentuada influência do pensamento grego e romano.
III. pelo espírito liberal (liberalismo), fazendo surgir e consolidando os estados nacionais europeus.
Das afirmações, somente
a) I está correta.
b) II está correta.
c) I e II estão corretas.
d) I e III estão corretas.
e) II e III estão corretas.


 

7 (Enem)

(...) Depois de longas investigações, convenci-me por fim de que o Sol é uma estrela fixa rodeada de planetas que giram em volta dela e de que ela é o centro e a chama. Que, além dos planetas principais, há outros de segunda ordem que circulam primeiro como satélites em redor dos planetas principais e com estes em redor do Sol. (...) Não duvido de que os matemáticos sejam da minha opinião, se quiserem dar-se ao trabalho de tomar conhecimento, não superficialmente, mas duma maneira aprofundada, das demonstrações que darei nesta obra. Se alguns homens ligeiros e ignorantes quiserem cometer contra mim o abuso de invocar alguns passos da Escritura (sagrada), a que torçam o sentido, desprezarei os seus ataques: as verdades matemáticas não devem ser julgadas senão por matemáticos. (COPÉRNICO, N. De Revolutionibus orbium caelestium)

Aqueles que se entregam à prática sem ciência são como o navegador que embarca em um navio sem leme nem bússola. Sempre a prática deve fundamentar-se em boa teoria. Antes de fazer de um caso uma regra geral, experimente-o duas ou três vezes e verifique se as experiências produzem os mesmos efeitos. Nenhuma investigação humana pode se considerar verdadeira ciência se não passa por demonstrações matemáticas. (VINCI, Leonardo da. Carnets)

O aspecto a ser ressaltado em ambos os textos para exemplificar o racionalismo moderno é

 

a) a fé como guia das descobertas.

b) o senso crítico para se chegar a Deus.

c) a limitação da ciência pelos princípios bíblicos.

d) a importância da experiência e da observação.

e) o princípio da autoridade e da tradição.]

8 (UEL)

 

O Renascimento, amplo movimento artístico, literário e científico, expandiu-se da Península Itálica por quase toda a Europa, provocando transformações na sociedade. Sobre o tema, é correto afirmar que:

 

a) o racionalismo renascentista reforçou o princípio da autoridade da ciência teológica e da tradição medieval.

b) houve o resgate, pelos intelectuais renascentistas, dos ideais medievais ligados aos dogmas do catolicismo, sobretudo da concepção teocêntrica de mundo.

c) nesse período, reafirmou-se a ideia de homem cidadão, que terminou por enfraquecer os sentimentos de identidade nacional e cultural, os quais contribuíram para o fim das monarquias absolutas.

d) o humanismo pregou a determinação das ações humanas pelo divino e negou que o homem tivesse a capacidade de agir sobre o mundo, transformando-o de acordo com sua vontade e interesse.

e) os estudiosos do período buscaram apoio no método experimental e na reflexão racional, valorizando a natureza e o ser humano.  

9) (Espcex (Aman) 2011) As transformações culturais ocorridas na Europa dos séculos XIV a XVI ficaram conhecidas como Renascimento. Foram características deste movimento: 

 

a) Misticismo e tentativas de reinterpretar o cristianismo. 

b) Teocentrismo e recuperação de línguas clássicas (latim e grego). 

c) Individualismo e utilização de novos recursos como a perspectiva no desenho e na pintura. 

d) Racionalismo e críticas ao período conhecido como Antiguidade Clássica. 

e) Antropocentrismo e rejeição de temas religiosas nas produções artísticas. 

10) (Enem 2011) Acompanhando a intenção da burguesia renascentista de ampliar seu domínio sobre a natureza e sobre o espaço geográfico, através da pesquisa científica e da invenção tecnológica, os cientistas também iriam se atirar nessa aventura, tentando conquistar a forma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo a expressão e o sentimento. 

SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984. 

 

O texto apresenta um espírito de época que afetou também a produção artística, marcada pela constante relação entre 

 

a) fé e misticismo. 

b) ciência e arte. 

c) cultura e comércio. 

d) política e economia. 

e) astronomia e religião.

11) (PUC-RIO) Sobre o conjunto de ideias que marcou o Renascimento é correto afirmar que

 

a) a Renascença contribuiu para o reforço de valores humanistas em toda a Europa. A valorização do Homem como “medida para todas as coisas” se tornou uma ideia importante para os pensadores renascentistas.

b) as ideias dos pensadores renascentistas tornaram-se populares, influenciando movimentos revolucionários. Esses ideais seriam retomados no século XIX pelos socialistas.

c) os pensadores do Renascimento recuperaram ideias da Antiguidade clássica,estando de acordo com as orientações religiosas da Igreja Romana.

d) a Igreja Católica, como principal compradora de obras de arte, se tornou uma defensora das ideias renascentistas.

e) como movimento intelectual, o Renascimento provocou uma ruptura na Igreja,dividida a partir de então em Igreja Ortodoxa e Igreja Romana.

 

12)  (UNESP/SP) Foram características do Renascimento, entre outras: 

 

a) - a retomada dos valores da cultura greco-romana; o antropocentrismo; a convicção de que tudo pode ser explicado pela ciência;

b) - a reafirmação dos valores da cultura medieval; o deísmo; o caráter civil da produção artística;

c) - o repúdio aos valores da cultura greco-romana; o deísmo; o racionalismo;

d) - o repúdio aos valores da cultura medieval; o antropocentrismo; a negação de que tudo pode ser explicado pela razão e pela ciência;

e) - a valorização da cultura oriental; o humanismo; o caráter eclesiástico da produção artística.

GABARITO

1 - D

2 - C

3 - E

4 – D

5 – C

6 – C

7 - D

8 - E

9 - C

10 - B

11 - A

12 - A

 

segunda-feira, 2 de março de 2015

FILOSOFIA: A existência de Deus e o materialismo contemporâneo

Prof. Ms. Leandro César Bernardes Pereira

O materialismo é uma corrente filosófica, ou seja, é uma forma de pensamento adotada por inúmeros filósofos, cientistas, artistas e pessoas em geral. O materialismo afirma que a realidade é essencialmente matéria, tudo provêm da matéria e somente existe matéria. Por isso, nega a possibilidade da existência das realidades psíquicas, metafísicas e a existência de Deus.
A metafísica tem como fundamento uma reflexão a partir do concreto de cada existente, seu objetivo é analisar os seres em sua complexidade. Ela afirma a existência do psíquico e busca encontrar o “ser” como realidade fundadora dos seres.
A partir do diálogo entre materialismo e metafísica é possível determinar seus limites e estabelecer um diálogo com a teologia que afirma a existência de um criador.
O presente estudo foi baseado no artigo “A existência de Deus e o materialismo contemporâneo” escrito por Alberto Dondeyne, Professor de Filosofia na Universidade de Lovaina.

A ambiguidade da palavra materialismo

O materialismo contemporâneo não é sempre uma negação de todo valor espiritual, pois o marxismo fala de espírito e liberdade, reclama a libertação do homem das injunções da matéria[1].
A existência humana pode ser considerada a partir da descrição fenomenológica da existência: o homem toma consciência de sua existência. Ele revela-se a si mesmo não como coisa inerte e fixa, mas como movimento atraído por valores. Há valores que proporcionam bem estar corpóreo como a saúde. Outros ultrapassam a consideração biológica: alegria de conhecer, a emoção artística, o amor desinteressado, a liberdade, uma sociedade regida pela justiça e respeito. Esses valores são chamados espirituais[2].
O materialismo contemporâneo é científico e filosófico. Pretende dar a explicação última das coisas e apresenta-se como uma exigência de verdade e de liberdade. Considera Deus como um mito sem fundamento, uma hipótese inútil e até prejudicial ao progresso da ciência e da liberdade do homem[3].

O materialismo moderno é um materialismo científico e filosófico

Há materialismo filosófico quando se afirma que a matéria é o substrato que determina a explicação última ou definitiva das coisas[4]. A matéria deve ser entendida como energia, um campo de força o qual possui forma e movimento. Por isso, possui possibilidade indefinida de estruturas, desde o átomo, a constelação até uma organização infinitamente complexa como o cérebro[5].
O materialismo científico consiste em afirmar a ciência como a única capaz de deter o saber verdadeiro. Qualquer outro saber é tratado com desdém, como algo ilusório, um sonho ou um mito.

O domínio da ciência só pode ser o mundo exterior, em sentido lato, isto é, o mundo dos corpos, incluindo o homem. Com efeito, só a observação externa, a apreensão dos fatos e de acontecimentos externos corresponde à ideia de experiência universalmente conferível e verificável. O fato psíquico interno escapa, como tal, à verificação[6].

Jean Rostand ensina sobre o pensamento, que para eles, é nas células do córtex cerebral “que se produzem as reações químicas e as transformações de energia que dão lugar ao que nós chamamos consciência, e de que nada sabemos a não ser que ela está indissoluvelmente ligada a estas reações e a estas transformações”[7]. A partir dessa visão a fé em Deus e na imortalidade da alma é vista como uma projeção psíquica. Segundo Feuerbach tem origem da tendência egoísta para a felicidade[8]. Segundo Marx, a religião “é o suspiro da criatura acabrunhada pela desgraça, é o coração de um mundo sem coração, é o espírito de uma época sem espírito. É o ópio do povo”[9].
Diante dessas considerações é necessário perguntar: Será a ciência a única verdade, a única maneira de o homem ter certeza? A afirmação de Deus possui fundamento?

A afirmação religiosa de Deus

O fundamento da fé em Deus, ou da afirmação religiosa de Deus não parte para quem crê de um raciocínio abstrato. Em geral, parte do testemunho de uma relação pessoal com Deus. Deus nesse sentido é alguém, um ser pessoal que se relaciona com a humanidade.  Por isso, a questão a ser analisada é: Pode a fé possuir um fundamento racional?

A questão filosófica do teísmo

Os questionamentos “quem eu sou?” e “qual é o valor da minha existência?” acompanham a história da humanidade a milênios. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder o principal questionamento humano[10]. A fé se apresenta como resposta a esta pergunta. A humanidade é apenas uma existência dentre muitos outros seres existentes. Conhecer algo é conhecer o seu ser.
A palavra ser “significa não só o que em última análise faz e origina a diversidade dos seres, mas também a unidade que os liga e relaciona entre si”[11]. Na antiga Grécia, a Metafísica surgiu como a ciência responsável para investigar o ser enquanto ser. O materialismo contemporâneo vê a reflexão metafísica como desprovida de fundamento. Contudo, assim como o materialismo científico a metafísica tem como fundamento a experiência em seu sentido amplo. A distinção entre ambas pode ser compreendida tendo como exemplo a reflexão sobre o juízo de valor.

Quanto ao juízo de valor, a ciência positiva o reduz a um simples acontecimento objetivo, limitando-se a verificar que, em tal sociedade, e em tais circunstâncias, predomina tal juízo de valor, e como, para isso, deve haver uma razão, é natural que a ciência procure encontrá-la. Porém a ciência não estuda o juízo de valor como tal, não se ocupa do que faz que um valor apareça à consciência como valor[12].

A ciência positiva ignora o significado de um evento para a consciência, para a área conhecida como “subjetividade”. Por isso, ela representa apenas um setor da experiência humana. A metafísica busca analisar o ser de forma mais abrangente.
A metafísica investiga o ser de tudo o que existe buscando a razão, o motivo por que os seres são o que são, e o que faz e fundamenta tanto a sua diversidade, como a sua unidade. O objeto de investigação da metafísica é o Ser pelo qual os existentes são. Jaspers confirma: “o Ser graças ao qual provém tudo o que é”[13]. Em outras palavras “o Ser é tal qual o ser empírico for possível”[14]. A lei da metafísica é a fidelidade ao real, ao concreto, tal qual se manifesta em sua diversidade e na unidade que o penetra[15].
Dondeyne afirma que é no ser que se encontra o fundamento último da verdade[16].

Situar no ser, e não no homem, o fundamento último da verdade, é dizer que o ser é na medida em que a verdade for possível. Este ser que, em última instância funda a possibilidade da verdade (...) não pode, evidentemente, conceber-se como energia material primitiva, desprovida da consciência anônima que envolvesse à maneira de uma dialética impessoal de conceitos abstratos (...). O fundamento último deve, por conseguinte, conceber-se como um Para-além-do-mundo, como um Ser pessoal e transcendente, capaz de suscitar uma intersubjetividade de pessoas finitas, ligadas e separadas pela matéria. Numa palavra, deve conceber-se como Deus criador[17].

A limitação do ser incapaz de conceber-se em si demonstra a necessidade de uma inteligência espiritual que o suscite no existir. Da mesma forma o pensamento humano, segundo Tomás de Aquino, sugere um Pensamento transcendente, origem comum das inteligências finitas e do mundo, que elas devem interpretar[18].
Apesar da ração pela contemplação do ser possa conduzir a fé em Deus. A fé funda-se, sobretudo na experiência religiosa.

A experiência religiosa da humanidade

O fundamento da experiência religiosa pode ser verificado no testemunho de santidade, na experiência mística e nos milagres. A experiência mística é encontrada em ambientes religiosos. Ela manifesta uma intuição, a qual representa uma forma superior de oração a qual une a alma a Deus[19]. O efeito desta união é uma transformação da alma por Deus. O contato “exprime-se como uma experiência da presença de Deus, gozada como Amor subsistente e criador, imanente e transcendente ao mesmo tempo. Por isso, Deus não é problema para o místico, pois se trata da Realidade por excelência”[20].
O milagre é um fenômeno religioso, é um fato excepcional, mas não isolado pois se insere em um contexto religioso. Pode ser compreendido como um conjunto de fatos maravilhosos que se apresentam como uma resposta tangível de Deus à fé humana, ou como um sinal sensível e concreto de sua presença na vida de seus santos. Os milagres se manifestam ou segundo os caminhos normais da natureza ou ultrapassando-os. Os milagres podem se manifestar, por exemplo, através de curas sobrenaturais ou de grandes sinais como a multiplicação de pães, reconstituição quase instantânea de considerável quantidade de tecidos lesados ou destruídos, acalmação repentina de tempestades, prontamente submissas a uma palavra de ordem, ressurreição de mortos etc...
Os evangelistas atribuíram dezenas de milagres a Jesus. Se esses milagres ainda merecem fé, é porque continuam acontecendo. Portanto, os milagres que se realizam hoje confirmam o evangelho. De fato, Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes qualquer coisa em meu nome eu o farei”[21]. Ele disse também: “Ide e ensinai a todas as nações (...) porque eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”[22].

CONCLUSÃO

A busca pela verdade é um traço essencial da espécie humana. Contudo, a afirmação de um princípio como verdadeiro ou falso apresenta-se como relativo e muitas vezes influenciado pela história ou por opiniões pessoais. Todavia, o conceito de verdade funda-se na noção de absoluto, ou seja, uma realidade concreta que se afirma por si, independentemente da visão alheia.
O artigo propôs duas visões sobre o fundamento dos seres. De um lado o materialismo e de outro a metafísica e a fé. Ambas as visões propõe apresentar o substrato que dá origem a todas as coisas. O materialismo a matéria; a metafísica o Ser e a fé cristã, Deus.

BIBLIOGRAFIA

DONDEYNE, Alberto. A existência de Deus e o materialismo contemporâneo. In: SAUDEE, Jacques B. Deus, o homem e o universo. Colaboração conjunta de dezoito cientistas. Porto: Livraria Tavares Martins, 1959.
JASPERS, Karl. Introduction à la Philosophie. Paris: Plon, 1951.
JASPERS, Karl. Philosophie. Berlin:Springer, 1932.
ROSTAND, Jean. Pensées d’um biologiste. Paris: Stock, 1939.
GRÉGOIRE, Franz. Aux souces de la pensée de Marx. Hegel, Feuerbach. Lovaina, 1947.
MARX, Karl. Contribution à la critique de la philosophie du droit de Hegel. Paris, 1929.
CAMUS, Albert. Le mythe de Sisyphe. Paris: Gallimard, 1942.


[1] Cf. DONDEYNE, Alberto. A existência de Deus e o materialismo contemporâneo, 3.
[2] Cf. Idem, 4.
[3] Cf. Idem, 5.
[4] Cf. Ibidem, 5.
[5] Cf. Idem, 6.
[6] Idem, 10.
[7] ROSTAND, Jean. Pensées d’um biologiste. Paris: Stock, 1939, 96.
[8] Cf. GREGOIRE, Franz. Aux souces de la pensée de Marx. Hegel, Feuerbach. Lovaina, 1947, 147-149.
[9] MARX, Karl. Contribution à la critique de la philosophie du droit de Hegel. Paris, 1929, 84.
[10] Cf. CAMUS, Albert. Le mythe de Sisyphe. Paris: Gallimard, 1942, 15.
[11] DONDEYNE, Alberto. A existência de Deus e o materialismo contemporâneo, 21.
[12] Idem, 23.
[13] JASPERS, Karl. Introduction à la Philosophie. Paris: Plon, 1951,31.
[14] JASPERS, Karl. Philosophie. Berlin:Springer, 1932, 54.
[15] DONDEYNE, Alberto. A existência de Deus e o materialismo contemporâneo, 27.
[16] Cf. Idem, 38.
[17] Idem, 38.
[18] Cf. Idem, 40.
[19] Cf. Idem, 42.
[20] Idem, 43.
[21] João 12,14.
[22] Mateus 28,19-20.